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Fatores políticos estáveis foram determinantes no combate à crise pandémica

Durante a primeira fase de resposta à pandemia Covid-19, o caso português foi aclamado como um “milagre”, um reflexo da apreciação de que o país tinha agido rapidamente e adotado medidas rigorosas, e saído com baixas excecionais, especialmente quando comparado com outros países do Sul da Europa.
De forma a compreender este acontecimento, Edna Costa, professora do Departamento de Ciência Política da Escola de Economia e Gestão, investigou a resposta dada pelo Governo e o papel do Chefe de Estado, de modo a travar a propagação inicial da infeção, de março a junho de 2020.
Ao longo do artigo, é demonstrado que “a política e o seu estado são importantes para lidar com crises repentinas como a que atualmente vivenciamos”. Os autores concluem que a pandemia ocorreu numa altura de estabilidade política em Portugal, excecional no contexto da Europa do Sul, o que garantiu níveis consideráveis de apoio por parte dos partidos da oposição e dos cidadãos, que acataram rapidamente as medidas tomadas pelo Governo. Tal ocorreu também num clima de consenso entre os principais atores políticos, peritos e comunicação social sobre as questões de saúde pública, o que reforçou a narrativa comum da crise, crucial ao nível do comportamento individual dos cidadãos. Por outro lado, a centralização do poder e da tomada de decisões, a nível administrativo e organizacional, permitiu uma resposta política coesa, mesmo tendo em conta as duas regiões autónomas que possuem um maior grau de autonomia e que adotaram medidas mais rigorosas na gestão da pandemia.

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